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Making of da cor de Porque Temos Esperança

25 de abril de 2016 - Trabalho
Making of da cor de Porque Temos Esperança

Dirigido pela cineasta Susanna Lira, que coleciona mais um prêmio internacional, e fotografado por Igor Cabral, Porque Temos Esperança acaba de receber o prêmio DIFERENÇA de melhor longa-metragem na Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul 2015.  Para homenagear esta conquista, inauguro a sessão de trabalhos de O Colorista com um artigo sobre a cor do filme.

Comecei a trabalhar na cor dos filmes de Susanna em 2005, no documentário Câmera, Close!. Desde então, já são 10 filmes e programas de televisão – a maioria deles premiados.

Cada projeto começa com um conceito diferente. Mas os últimos trabalhos que tenho feito com Susanna têm uma coisa em comum: a idéia de reforçar a cara de documentário cinematográfico utilizando a densidade e grãos de negativos de cinema conhecidos. Neste caso, o Fuji Eterna Vivid 8543 com grãos reais de 35mm Full Frame, escaneados em 6K.

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Material original, rodado com a Canon 5D

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Material tratado

O filme foi editado por Paulo Mainhard no Final Cut Pro 7 e um Media Manager foi criado para diminuir o volume de arquivos. Um XML foi então exportado e importado no DaVinci Resolve 10 Full, que eu utilizava na época. Assim o projeto do Final Cut aparece no DaVinci, praticamente idêntico, pronto para a finalização de imagem.

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Entardecer original

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Entardecer tratado

Tratando-se de um documentário que aborda um tema sério e importante, procuramos manter as imagens neutras, sem estilos exagerados. A idéia é retratar a realidade, ao contrário de projetos de dramaturgia que abrem espaço para o uso de paletas de cor que influem psicologicamente nas pessoas. Mas o uso de uma textura de película acaba dando mais credibilidade às imagens. O importante é encontrar a dose certa, principalmente no uso de grãos. A não ser que o objetivo seja, por exemplo, simular documentários rodados em 16mm.

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Material original filmado no presídio

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Material tratado

Como a maioria dos coloristas experientes, procuro evitar o uso de LUTs e estilos enlatados que podem ser adquiridos pela internet. Um verdadeiro artista não pinta por números e procura criar seu próprio estilo. Então não há graça nenhuma em utilizar estilos que qualquer um pode usar e fazer apenas mais um trabalho comum. A verdadeira satisfação vem de criar um estilo para cada filme que seja único a ele e que ajude a contar sua história da melhor forma possível.

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 Quatro etapas do tratamento da cena
(clique na imagem para ampliar)

A imagem acima ilustra as quatro etapas envolvidas no tratamento de cor desta cena. No sentido horário, a partir do canto superior esquerdo, começamos com a imagem original. Na imagem seguinte foram aplicadas a densidade e a curva de cor do negativo. A próxima imagem contém a correção básica de cor além do color grading, no qual as cores foram esfriadas por tratar-se de uma imagem noturna. A última imagem contém uma ligeira vinheta circular que ajuda a focar a atenção na personagem e disfarçar a cortina vermelha que tende a saltar para o primeiro plano.

O colorista tem uma grande responsabilidade com a imagem de cada filme. Afinal, é geralmente a última pessoa a colocar a mão nela. Se faz seu trabalho corretamente, acrescenta e dá o arremate final ao filme. A famosa cereja em cima do sorvete. Se faz um trabalho ruim, sem consciência de seus efeitos na história, pode passar emoções indesejadas e acabar piorando um trabalho que exigiu o esforço e participação de uma equipe enorme até chegar às suas mãos.

 

Paulo M. de Andrade
colorista

4 opiniões sobre “Making of da cor de Porque Temos Esperança

Leonardo Siqueira Moreira

Muito bom Paulo conhecer mais do processo e seu trabalho, obrigado por compartilhar .

    Paulo M. de Andrade

    De nada, Leonardo. Eu é que agradeço a sua visita. Espero poder continuar colocando matérias interessantes por aqui.

roberto

muito interessante,,,

    Paulo M. de Andrade

    Obrigado, Roberto.

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